China protesta contra participação de Taiwan no Fórum das Ilhas do Pacífico
A China pediu hoje ao líder do Fórum das Ilhas do Pacífico que "evite prejudicar o desenvolvimento saudável e estável" das relações diplomáticas, após Baron Waqa ter confirmado a participação de Taiwan na próxima cimeira.
Os protestos de Pequim, que reivindica a soberania sobre Taipé, tinham levado à exclusão de Taiwan do Fórum das Ilhas do Pacífico em 2025, acolhido pelas Ilhas Salomão.
Mas Palau, o arquipélago onde se realiza a cimeira deste ano, entre 30 de agosto e 04 de setembro, está entre os restantes aliados diplomáticos de Taiwan, juntamente com Tuvalu e as Ilhas Marshall.
A participação de Taipé foi confirmada na sexta-feira pelo secretário-geral do Fórum, Baron Waqa, numa conferência de imprensa.
"Taiwan é um parceiro de desenvolvimento muito importante. Não é um parceiro de diálogo, no entanto, interage com os membros da nossa família do fórum", disse Waqa.
"A China pede ao secretário-geral do Fórum das Ilhas do Pacífico que adira estritamente ao princípio de Uma Só China, que lide adequadamente com as questões relacionadas com Taiwan e que assegure que não prejudica o desenvolvimento saudável e estável das relações entre a China e o Fórum", disse hoje o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China.
Pequim considera Taiwan parte do território chinês, defende que a ilha deve ficar sob o seu controlo, recorrendo à força se necessário, e opõe-se à participação de Taipé em organizações e intercâmbios internacionais.
Nauru, Kiribati e as Ilhas Salomão, também membros do Fórum das Ilhas do Pacífico, quebraram relações diplomáticas com Taiwan e iniciaram laços com a China em 2019.
No domingo, a agência de notícias estatal taiwanesa CNA avançou que o Governo de Taiwan vai propor aumentar em 16% a despesa em Defesa para 1,1 biliões de dólares taiwaneses (29.5 mil milhões de euros) em 2027, face à crescente pressão militar de Pequim.
O orçamento militar de Taiwan deverá voltar a superar a barreira dos 3% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano, embora o valor exata dependa da projeção oficial de crescimento económico para 2027.
O montante abrange tanto a verba gerida pelo Ministério da Defesa Nacional como fundos para a Guarda Costeira, veteranos militares e projetos especiais de aquisição militar, entre outros, de acordo com a agência.
O aumento responde não só à crescente pressão militar de Pequim, mas também às exigências de Washington, que insiste em que Taipé deveria gastar mais na sua própria Defesa.
Nos últimos anos, Pequim intensificou a pressão militar, enviando quase diariamente aviões e navios de guerra para as proximidades do território taiwanês.
Taiwan obtém a maioria do seu equipamento militar junto dos Estados Unidos, principal aliado informal da ilha perante as reivindicações territoriais da China.